Dos pés à cabeça

Dica de Livro: Antropologia da Dança I

Até as últimas décadas do século vinte, os estudos antropológicos em dança estiveram, em sua maioria, restritos às danças referidas como ‘outras’ em relação às danças teatrais europeias e norte-americanas. A etnografia era a abordagem preferida para estudos em dança que demonstrassem interesse acadêmico por gêneros que fossem rotulados como primitivo, folk, tribal, social, popular, nativo ou, simplesmente, não europeu-americano. O desafio da Antropologia da Dança no século XXI não é apenas o de empregar o método etnográfico para investigar a dança, mas também o de apontar uma nova linha de investigação capaz de revelar como e porque a dança pode funcionar como ação social discursiva e afetiva de uma ordem humana particular. A chave para a abordagem antropológica da dança é a busca pela compreensão e pela comunicação do ‘êmico’, ou seja, a perspectiva dos participantes. A perspectiva êmica pode mudar com o tempo, assim como variar de pessoa para pessoa e é esse conhecimento que os etnógrafos contemporâneos da dança revelam aos seus leitores.
Antropologia da Dança I reúne dez artigos referenciais da área, escritos por antropólogas (Adrienne Kaeppler, Giselle Guilhon, Joann Kealiinohomoku, Suzanne Yourgerman, Theresa Buckland) e etnomusicólogos (John Blacking, Hugo Zemp, Jean-Michel Beaudet), apresentando questões e paradigmas teóricos de suma importância para o estudo da dança e, consequentemente, das práticas musicais. Tais questões estão dispostas desde os fundamentos filosóficos da escola difusionista alemã, perpassando por questões metodológicas, relacionadas à notação do movimento e à etnografia, bem como discutindo aspectos conceituais (estilo, gênero, movimento, significado, etc.), inclusive em relação à mudança recente de perspectiva na Etnografia da Dança. O livro finaliza com dois exemplos particulares de práticas coreográficas e sonoras de sociedades específicas. Parágrafo retirado daqui.

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